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Promessa de projetos para revitalização

12/04/2021 - Fonte: Jornal do Commercio - Cidades
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A revitalização do Centro do Recife foi um compromisso de campanha do então candidato a prefeito João Campos (PSB), que prometeu a criação de um escritório de gestão específico para o Centro da cidade, com ações para limpeza urbana, manutenção e política de atração de investimentos. Segundo a Prefeitura do Recife, para isso, vêm acontecendo reuniões periódicas com organizações como a CDL Recife, o Sindicato dos Lojistas do Comercio de Bens e Serviços do Recife (Sindilojas) e com o Porto Digital para formular o melhor projeto para a área, que ainda não tem previsão para sair do papel.

"Estamos em conversas com os principais atores e tentando montar um projeto que seja robusto. A ideia é criar o escritório e fazer com que ele avance, e estamos vendo de que maneira podemos integrar o que precisa ser feito na região do Centro. É uma questão de repensar o comércio e a dinâmica econômica de toda aquela área. O grande objetivo é retomar a moradia de alguma maneira no Centro, porque dá vida à área, inclusive à noite. Uma série de empreendimentos são inviabilizados quando não tem moradores que se apropriam do espaço", afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife, Rafael Dubeux.

Por nota, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) disse que, nos últimos cinco anos, promoveu diversas benfeitorias nos equipamentos públicos do centro, com destaque para a Revitalização da Praça Dom Vital, em São José, Praça Maciel Pinheiro, na Boa Vista, além das Praças do Arsenal, da Comunidade Luso Brasileira e Tiradentes, no Bairro do Recife, e que os serviços realizados apenas nestas localidades somam mais de R$ 2 milhões. Afirmou, também, que realiza periodicamente limpeza, vistorias e ações de reparos nas praças, como na Osvaldo Cruz e Dezessete.

O Plano Diretor do Recife, sancionado em dezembro de 2020, também definiu diretrizes para o planejamento urbano da cidade na próxima década. Entre as medidas para o Centro, são previstos: incentivo à implantação de usos residenciais para todas as faixas de renda; estimular as edificações privadas de uso público como espaços de permeabilidade e articulação no território; dinamizar os espaços públicos tornando-os mais seguros e acessíveis em todos os períodos do dia e estimular a mobilidade ativa, com a ampliação e tratamento de calçadas.

"Os centros das cidades, de maneira geral, guardam a identidade da cidade. Precisamos de uma forma rápida fazer com que isso (o Plano Diretor) seja materializado e executado. Que tenhamos um grande pacto para resgatar e ressignificar o Centro com o empresariado, com o poder público, com as instituições, com as ONGs e comunidades", disse o arquiteto e urbanista Roberto Salomão.

Ele também defende que o Centro já abriga toda a infraestrutura necessária para a moradia, como transporte público, abastecimento de água e energia elétrica, e que seria "muito mais fácil trabalhar o retorno". Segundo Rafael Dubeux, esse é justamente o objetivo da Prefeitura do Recife. "A ideia não é destruir prédio, sobretudo os históricos, nem nada, é revitalizar. O comércio do centro é muito forte, mas com isso pode ganhar ainda mais força".

HISTÓRIA

Relatos de quem viveu no século 20 no Recife e de especialistas dão conta de que, ao longo das últimas décadas, o antigo coração da cidade foi aos poucos sendo esvaziado de cultura, opções de lazer, comércio e, consequentemente, de moradores.

"O grande problema hoje no bairro do Recife foi a perda da moradia no Centro. A partir do momento em que as pessoas deixaram de morar no Centro, ele começou a ter um funcionamento sazonal, só tendo atividades em um determinado período do dia. Isso começou a impactar a própria dinâmica dele, e muitos edifícios começaram a se esvaziar", explicou Salomão.

A saída das pessoas da região também foi o motivo, para o professor de História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Biu Vicente, do abandono do poder público no local. "Como não tem ninguém vivendo naquele lugar, ele vai se deteriorando, e a própria prefeitura foi o abandonando. Lá não se produz mais os impostos como antigamente, e, assim, os prefeitos começam a não cuidar da rua, a não colocar policiamento. Quando vou lá, eu choro. É uma dor enorme", desabafa o pesquisador.

Hoje, a área composta por 11 bairros conta com um pouco mais de 78 mil habitantes, segundo dados da Prefeitura do Recife, o que representa 5,08% do total da população da capital, que tem 1,5 bilhão de pessoas. Mas nem sempre foi assim.

Até os anos 70, aproximadamente, tudo girava ao redor do Centro. "A partir de 1964, parece ter havido uma série de medidas que o esvaziaram, como a construção da Avenida Dantas Barreto. Também teve a questão das enchentes de 1975, que levou muitas pessoas a irem morar em Boa Viagem, na Zona Sul. Com isso, o comércio também vai para lá, então ninguém mais precisa ir para o Centro da cidade", conta o historiador.

Eram nos bairros do Centro onde estavam concentradas as grandes lojas da cidade, como a saudosa Viana Leal, a Mesbla, ambas na Rua da Palma, e a Lobrás, na Rua Nova. Lá também era o endereço de importantes espaços de lazer, com destaque para os cinemas de rua Moderno, na Praça Joaquim Nabuco, Veneza, na Rua do Hospício, e São Luiz, na Rua da Aurora, sendo este último o único sobrevivente que ainda opera em 2021. Habitação, cultura e comércio coexistiam no Centro, que também foi palco de grandes revoluções e movimentos políticos.

"Na Rua do Imperador, na cadeia pública, foi onde Frei Caneca ficou preso. Onde é hoje a Praça da República, foram mortos os revolucionários de 1817. Do outro lado, no Forte das Cinco Pontas, aconteceu a execução de Frei Caneca. Na revolução de 1930, houve troca de tiros na região onde hoje é a Casa da Cultura. Foi na Praça da Independência que o estudante de direito Demócrito de Souza Filho foi assassinado em 1945, fato que foi um dos estopins do movimento que pôs fim à Ditadura do Estado Novo", relembrou o historiador.

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