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Notícias

75% dos pernambucanos convivem com o risco da falta de água

21/10/2021 - Fonte: Jornal do Commercio - Economia
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Nesta quinta-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entrega em Pernambuco uma obra considerada fundamental para o fornecimento regular de água na região semiárida do Estado. O Ramal do Agreste vai levar a água para a Adutora do Agreste, que vai distribuir a água do rio São Francisco para 23 municípios, após quase uma década de obras. Mas o empreendimento por si só não resolve o problema de abastecimento no Estado. Primeiro, porque mesmo pronto não entregará água como deveria; segundo, aqui está a segunda pior situação do Nordeste, com a maior demanda por investimentos para garantir segurança hídrica - um problema para 75% dos pernambucanos e que demandará R$ 8,05 bilhões em investimentos até 2035, aporte menor só que o do Ceará (R$ 12 bilhões).

O Ramal, assim como seu complemento, a Adutora do Agreste, simbolizam a necessidade e o ritmo de resolução que a questão hídrica, considerada prioritária nos planos do governo do Estado, realmente têm. Obras bilionárias tocadas com recursos do governo federal, mas que vêm se arrastando desde 2013. O Ramal enfim será entregue, custando R$ 1,67 bilhão, mas ainda dependente da Adutora do Agreste para concluir a trajetória de distribuição da água.

A Adutora do Agreste, empreendimento tocado pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), com aporte de recursos do governo federal, será capaz de, junto com o Ramal, fornecer água da Transposição do rio São Francisco a mais municípios pernambucanos. A primeira etapa da Adutora só será concluída em 2022, caso o governo federal libere R$ 200 milhões para as obras. Desde 2013, a Adutora recebeu investimentos totais de R$ 1,030 bilhão, com a implantação de 647,8 quilômetros.

Com a Adutora, além dos 23 municípios que passam a receber água numa primeira etapa, quando concluída uma segunda fase, outras 45 cidades poderiam contar com melhorias no abastecimento, mas esse avanço ainda segue na incerteza, assim como a vida de outras de outros milhares de pernambucanos que sofrem com o estresse hídrico.

A segunda etapa da Adutora do Agreste é uma das obras prioritárias elencadas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para garantir a segurança hídrica no Estado. Com uma população de 8,1 milhões de habitantes, Pernambuco ainda tem hoje 75% da população sofrendo com baixa ou média segurança hídrica, ou seja, sem garantias de fornecimento regular de água para cumprimento de atividades básicas, de acordo com o Atlas Água, da própria ANA.

Os números colocam o Estado em posição delicada frente entes do Nordeste e do restante do País. Na região, Pernambuco é o segundo estado que mais demanda recursos para garantir a segurança hídrica da população. A nível nacional, está atrás apenas do Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Do total a ser investido, são precisos R$ 6,7 bilhões para destinação aos sistemas de produção de água (83%) e R$ 1,3 bilhão para os sistemas de distribuição de água (17%). Além das infraestruturas recomendadas e potenciais, são estimados cerca de R$ 840,3 milhões (13% do total) para 66 sedes urbanas que têm vulnerabilidade nos mananciais ou nos sistemas produtores de água e não têm propostas de solução. Só dos recursos para distribuição, é estimada uma necessidade de instalação de 446.116 ligações e assentamento de 4.280 km de rede de distribuição.

Tais recursos quando aplicados simbolizam melhoria de vida na ponta, para pessoas como o morador Alex Barbosa, do bairro do Brejo da Guabiraba, na Zona Norte do Recife. "Ficamos sem água por quase 20 dias, comprando água de carro pipa", conta ele sobre a situação do abastecimento após uma intervenção da Compesa.

"Depois de finalizado, o serviço nunca tivemos água com pressão. Só chega em torneiras baixas. Numa rua em desnível e ladeira, algumas casas não chegam nem em torneiras baixas. Idosos com mais de 65 anos são obrigados a carregar água. Mesmo após a obra, chegamos a ficar nove dias sem nem pingar na torneira. E na maioria das vezes a Compesa diz que o abastecimento da localidade é diário e está normal, mas não temos água", lamenta.

OBRAS

A Compesa é a responsável por abastecer 97% das sedes urbanas do Estado, alcançando 7,96 milhões de pessoas. É a empresa também que segue responsável pelas obras hídricas locais. Além da Adutora do Agreste, obras estruturais apontadas pela ANA são o Sistema Adutor Pajeú (2ª Etapa), da Barragem Engenho Maranhão, do Sistema Adutor da Barragem Engenho Maranhão para a ETA Suape, do Sistema Adutor da Barragem Engenho Maranhão para ETA Pirapama e do Sistema Adutor Chapéu - Reforço Oeste.

De acordo com o Compesa, são realizados investimentos sistemáticos em saneamento em todo o território pernambucano, especialmente em áreas de menor balanço hídrico, a exemplo da região do Agreste. Além do programa Cidade Saneada, na Região Metropolitana do Recife, que detém o título de maior Parceria-Público Privada do setor no País, a Compesa diz estar empenhada no desenvolvimento de um plano de investimento capaz de atender as metas de universalização dos serviços impostas pelo novo marco regulatório, que são 99% para cobertura de água e 90% de esgoto para todos os municípios pernambucanos até 2033.

Segundo a companhia, está em curso um robusto plano de investimentos para a execução de grandes obras estruturadoras já planejadas, a exemplo da segunda etapa da Adutora do Agreste, o reforço da Adutora do Oeste e implantação do Sistema Produtor a partir da Barragem Carpina. Essas obras estão estruturadas a partir do eixo norte e leste da transposição do Rio São Francisco.

A Compesa diz ainda que, "grandes investimentos em curso", como a Adutora de Serro Azul, com investimentos de R$ 225 milhões, que transportará água da Mata Sul para cidades do Agreste, além da construção da Adutora do Alto Capibaribe, com investimentos de R$ 82 milhões, que será alimentada por águas da transposição para o Rio Paraíba, no município paraibano de Barra de São Miguel, beneficiando nove cidades de Pernambuco e uma no estado vizinho. Também em execução a obra do Sistema Adutor dos Poços de Tupanatinga, que recentemente entrou em fase de testes e representa esperança para muitas famílias no interior.

"A companhia tem meta de ampliar parcerias com a iniciativa privada para elevar sua capacidade de execução de obras e captação de recursos, nos próximos anos, o que demonstra o compromisso de aderência e atendimento às metas impostas pelo novo marco regulatório para universalização dos serviços, melhorando a saúde e a qualidade de vida dos pernambucanos", diz em nota.

A Compesa ainda destaca um novo dessalinizador na Ilha de Fernando de Noronha, orçado em R$ 13 milhões, para beneficiar moradores e turistas que visitam o arquipélago, e a obra de implantação do Sistema Adutor Arataca II, investimento que vai ampliar a oferta de água para 750 mil pessoas nas cidades de Olinda, Paulista, Igarassu e Abreu e Lima. O projeto prevê a implantação de uma segunda captação de água no Rio Arataca, em Goiana, que será integrada ao Sistema Produtor de Botafogo, iniciativa que permitirá um incremento de 500 litros de água por segundo à atual capacidade de produção do sistema. O valor do empreendimento é de R$ 120 milhões e só deve ficar pronto em junho de 2022.

Nos últimos anos, de acordo com os dados da companhia, foram aplicados mais de R$ 4 bilhões em todo o Estado, e para este ano a previsão era de recursos da ordem de 1,2 bilhão em obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

BRASIL

No País, o Atlas Águas indica que é necessário um investimento total de R$ 110 bilhões até o horizonte de 2035 em infraestrutura de produção e distribuição de água, reposição de ativos dessas infraestruturas, controle de perdas do recurso e medidas voltadas à gestão para melhorar a segurança hídrica das cidades brasileiras. Desse montante, o Sudeste e o Nordeste demandam 76% dos investimentos por terem os maiores contingentes populacionais e, portanto, as maiores demandas pelo recurso.

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